FUTEBOL
Juniores viveram autêntico "trhiller" no final de época 
«A presente época ficou marcada por um conjunto de desafios constantes, tanto a nível desportivo como humano, exigindo uma enorme capacidade de adaptação e resiliência ao longo de todo o percurso.»
Não foi fácil, nada fácil, muito complicada mesmo esta época da equipa do CF Fão, que depois de no final do ano terminar em 6º lugar, bem distante da zona de descida e a jogar em bom nível, perder depois vários atletas, sofrer várias lesões, sofrer muitos castigos e outras vicissitudes que 2ajudaram" a uma campanha negativa de 13 jogos sempre a perder, que levou a turma de Marcos Ferreira para a zona de descida nos últimos 2 jogos, em que com duas vitórias épicas, com reviravoltas, sem uma delas frente ao campeão garantir a manutenção.
Por tudo isso quisemos saber pelo Treinador, como foi este percurso tão ingrato, mas com um final feliz!
«A presente época ficou marcada por um conjunto de desafios constantes, tanto a nível desportivo como humano, exigindo uma enorme capacidade de adaptação e resiliência ao longo de todo o percurso.
Desde o início que o contexto se revelou particularmente difícil. Da equipa de juniores da época anterior transitou apenas um atleta, sendo que a maioria do plantel era composta por jogadores que já tinham trabalhado comigo anteriormente nos juvenis. Ainda assim, verificaram-se algumas saídas importantes, difíceis de compensar e as entradas realizadas não foram suficientes para garantir a profundidade desejada do plantel.
Apesar dessas limitações iniciais, a equipa conseguiu realizar uma primeira volta bastante positiva. Fomos competitivos, somámos pontos importantes e conseguimos posicionar-nos de forma confortável relativamente ao principal objetivo da temporada: garantir a manutenção.
Contudo, com o avançar da época, a situação foi-se tornando progressivamente mais complicada. O plantel, que já era reduzido, acabou por sofrer várias desistências ao longo da temporada. Infelizmente, muitas dessas decisões tiveram como principal motivo o descontentamento com a falta de tempo de jogo, algo que se tem tornado cada vez mais frequente neste contexto, algo a que não estava habituado e que honestamente não compreendo, pois, invés de lutarem por um lugar e tentarem melhorar a cada treino, optam pela opção de desistir.
Naturalmente, estas saídas tiveram um impacto significativo não apenas na quantidade de opções disponíveis, mas também na qualidade do trabalho diário. Entre ausências constantes devido a alguma falta de compromisso , houve sessões de treino realizadas com apenas sete ou oito jogadores. Conseguir reunir quinze atletas num treino acabava por ser algo excecional. Nestas condições, torna-se inevitavelmente difícil manter os níveis de exigência e qualidade necessários para uma evolução consistente da equipa.
À medida que os problemas se acumulavam, começaram também a refletir-se nos resultados. Algumas dificuldades internas associadas à irregularidade natural destas idades, acabaram por afetar a estabilidade competitiva da equipa. Entrámos numa fase negativa que nos fez perder posições na tabela classificativa e, perante esse cenário, fomos inclusivamente obrigados a recorrer a atletas dos juvenis para colmatar as lacunas existentes no plantel.
Paralelamente às dificuldades internas, houve ainda situações relacionadas com a Associação de Futebol de Braga que considero difíceis de compreender e claramente prejudiciais para a nossa equipa. Numa dessas ocasiões, fomos obrigados a disputar jogos em dias consecutivos, sexta-feira e sábado, sob a justificação de não existirem datas disponíveis para reagendamento. No entanto, apenas duas semanas depois, a própria AF Braga decidiu adiar a última jornada precisamente para permitir a realização de jogos em atraso, situação que acabou por nos deixar sem competir nesse fim de semana.
Ainda mais difícil de aceitar foi o que aconteceu na última jornada. Tratando-se de equipas envolvidas diretamente na luta pela manutenção, seria expectável que os encontros decisivos fossem disputados em simultâneo, salvaguardando a verdade desportiva. Contudo, a equipa do Granja realizou o seu jogo na quinta-feira, enquanto o nosso apenas aconteceu no sábado. Isso permitiu inclusivamente que elementos dessa equipa estivessem presentes nas bancadas durante o nosso jogo decisivo.
Felizmente, apesar de todas as adversidades, conseguimos alcançar o objetivo da manutenção. Mais importante ainda, a equipa demonstrou, sobretudo nos momentos de maior pressão, aquilo que era verdadeiramente capaz de fazer quando encarava o trabalho com o nível de compromisso e seriedade exigidos. A vitória frente ao já campeão foi reflexo disso mesmo e permitiu-nos chegar à última jornada dependentes apenas de nós próprios, acabando também por vencer esse encontro decisivo.
Por fim, quero deixar uma palavra de agradecimento ao clube pela confiança depositada no meu trabalho. Trata-se de um clube pelo qual tenho um carinho muito especial e estou convicto de que, com a estrutura, organização e investimento adequados, existem todas as condições para crescer de forma sustentada e afirmar-se como uma referência no panorama desportivo.»

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